MP-BA aperta cerco sobre uso de carros oficiais da Câmara de Ilhéus

Órgão aponta irregularidades e quer proibir uso de veículos fora do expediente

producao ·

 Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio da 8ª Promotoria de Justiça de Ilhéus, expediu uma recomendação formal à Câmara Municipal de Ilhéus para exigir a adoção imediata de controles mais rígidos sobre o uso da frota de veículos e o abastecimento de combustíveis.

A medida busca impedir que os 19 veículos oficiais da Casa sejam usados para fins particulares por vereadores e servidores.

Esse tipo de uso pode causar prejuízo aos cofres públicos e configurar ato de improbidade administrativa.

A informação consta no Diário Oficial da Justiça desta segunda-feira, 14.

Pontos críticos

A investigação do MP identificou “pontos críticos” na forma como o combustível é controlado.

Entre as falhas estão a entrega irregular de vouchers aos condutores e a falta de um monitoramento eficaz da quilometragem no momento do abastecimento, realizado no Posto Batista Aguiar.

Atualmente, a Câmara possui 19 veículos para atender 21 vereadores, além de um veículo reserva.

Novas regras: fotos dos painéis e horários fixos

Para evitar possíveis irregularidades, o MP sugeriu medidas práticas de fiscalização:

Controle digital: criação de uma pasta digital para arquivar fotografias dos painéis dos veículos a cada abastecimento, permitindo comprovar a quilometragem registrada.

Janela de abastecimento: definição de apenas dois dias da semana e horários específicos para o abastecimento de toda a frota, que deverá ocorrer obrigatoriamente sob a supervisão de um fiscal da Câmara.

Veto ao uso em folgas: proibição expressa do uso dos carros oficiais em fins de semana, feriados ou fora do horário de expediente, salvo quando houver interesse público comprovado.

Fim do “carro à disposição”?

Um dos pontos centrais da recomendação é uma definição que a Câmara deverá fazer.

Há duas possibilidades:

Uso exclusivo para atividades legislativas: os veículos ficam permanentemente à disposição da Câmara, mas não podem ser usados para fins particulares.

Uso mediante comprovação: cada deslocamento deverá ser acompanhado de um relatório informando qual atividade institucional foi realizada.

Prazo e consequências

O presidente da Câmara, César Porto (PP), tem prazo de 30 dias para informar ao Ministério Público se vai adotar as medidas e para editar as normas de controle.

O presidente da Câmara, César Porto (PP) - Foto: Divulgação

Se as recomendações não forem cumpridas, o MP poderá adotar medidas judiciais por improbidade administrativa, que pode punir condutas intencionais que causem perda de patrimônio ou prejuízo aos bens públicos.

Leia também