Defesa de Bolsonaro aposta no STF para anular pena de 27 anos

Relator deu dez dias para manifestação da PGR antes de levar o caso ao Plenário

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 Foto: Evaristo Sa | AFP
Foto: Evaristo Sa | AFP

Diante da confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou a concentrar as estratégias na revisão criminal em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF).

O objetivo principal da medida é anular a condenação de 27 anos de prisão imposta ao ex-mandatário por tentativa de golpe de Estado.

​O recurso judicial ganhou papel central no planejamento dos advogados após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Durante a campanha, o parlamentar havia afirmado que pretendia subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do pai, o que exigiria a revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Com a vitória da chapa governista, a via política foi descartada.

Prazo

​Na última segunda-feira, 26, um dia após a votação, o ministro Kassio Nunes Marques concedeu prazo de dez dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o novo pedido.

A medida era aguardada, já que o magistrado — que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — havia decidido não despachar no processo durante o período eleitoral para evitar ilações sobre eventual interferência no pleito.

​A petição da defesa solicita, em caráter liminar, a suspensão da execução da pena até o julgamento do mérito. No mérito, os advogados requerem a anulação das decisões derivadas do inquérito das fake news e a invalidação de provas e depoimentos colhidos desde maio de 2025, com a reabertura da instrução processual.

Entre os argumentos apresentados está um parecer técnico que aponta supostas falhas na preservação de dados digitais. A defesa questiona a validade de mensagens do aplicativo Signal extraídas do telefone de Mauro Cid por meio de gravação da tela, em vez de perícia direta.

​Este é o segundo pedido de revisão sob relatoria de Nunes Marques. O primeiro, protocolado em maio, recebeu parecer contrário da PGR e aguarda decisão no gabinete.

​Julgamento em plenário

​O relator pretende submeter o caso ao Plenário da Corte, cabendo ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a marcação da data.

A mudança de fórum é relevante: Bolsonaro foi condenado em 2025 pela Primeira Turma — com votos favoráveis de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, e divergência de Luiz Fux.

No Plenário, passarão a votar magistrados que não participaram do julgamento original: André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli.

​Antes da análise colegiada, Nunes Marques pode examinar individualmente o pedido de soltura. No entanto, ministros interlocutores do gabinete de Alexandre de Moraes avaliam como nulas as chances de a revisão reverter a condenação ou conceder liberdade ao ex-presidente.

Fonte: A Tarde

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