A mobilização para a cerimônia que marcará o início do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já movimenta os preparativos para janeiro de 2027. Após a vitória nas urnas em 25 de outubro, aumentou a procura por deslocamentos até Brasília (DF), onde a solenidade está marcada para o dia 5 de janeiro.
O interesse pelo evento também se reflete no mercado de viagens. Levantamento do Google Trends aponta que as pesquisas pelo termo “passagem para Brasília” cresceram 70% em comparação com a semana anterior. O maior volume de consultas ocorreu em 26 de outubro, um dia após o segundo turno. As buscas por “caravana posse do Lula” também apresentaram crescimento.
A movimentação já impacta os valores das passagens aéreas. Uma viagem direta entre São Paulo (SP) e a capital federal, na véspera da cerimônia, custa aproximadamente R$ 1.500. Para efeito de comparação, a tarifa média desse mesmo percurso em janeiro de 2026 foi de R$ 444,63, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) .
Além dos deslocamentos individuais, excursões para acompanhar a solenidade começaram a ser anunciadas nas redes sociais. Os preços encontrados variam de R$ 390 a R$ 2 mil.
PT articula caravanas para cerimônia
A mobilização de apoiadores também entrou na agenda da direção nacional do Partido dos Trabalhadores. Em sua primeira reunião após a vitória eleitoral de Lula, realizada nesta semana, a Comissão Executiva Nacional discutiu a organização da posse e orientou os diretórios estaduais e municipais a iniciarem os preparativos para levar delegações a Brasília.
A articulação envolve também parlamentares, sindicatos e movimentos sociais, que receberam o pedido de organizar caravanas sem deixar a mobilização para os últimos dias.
O PT considera a solenidade “um dia histórico”, especialmente diante da possibilidade de ser a última cerimônia de posse de Lula. O presidente já declarou que não pretende disputar outro mandato.
Mudança na data da posse
A solenidade de 2027 também será a primeira a ocorrer em 5 de janeiro, rompendo uma tradição mantida desde a Constituição de 1988 , quando a transmissão do cargo presidencial acontecia no primeiro dia do ano.
A alteração foi determinada por uma Emenda Constitucional promulgada em 2021. A mesma mudança estabeleceu o dia 6 de janeiro para a posse dos governadores, enquanto a cerimônia de início dos trabalhos dos parlamentares no Congresso Nacional permanece em 1º de fevereiro.
A reformulação do calendário busca facilitar a participação de outros chefes de Estado e integrantes do Executivo nas solenidades.
Para o evento que marcará o início do quarto mandato de Lula, a expectativa é de presença de representantes de diferentes países. O governo chileno já comunicou que o presidente José Antonio Kast deverá comparecer.
Também estão previstos convites aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, mesmo diante dos atritos recentes. A diplomacia brasileira tem como prática convidar os chefes de Estado de todos os países com os quais mantém relações.
Planalto ainda não iniciou preparativos
Enquanto o partido trabalha na organização das caravanas, o Palácio do Planalto ainda não começou os preparativos oficiais para a cerimônia.
Na primeira semana após o resultado eleitoral, Lula reservou a agenda para descansar e realizar encontros internos com aliados. Sua única participação em evento público no período foi em uma comemoração de aniversário realizada em frente ao Palácio da Alvorada, na terça-feira (27/10).
A previsão é que o presidente comece a tratar diretamente da organização da posse na segunda quinzena de novembro, após retornar de uma viagem internacional à Turquia e às Filipinas.

