Preste a assumir seu quarto mandato no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem uma missão política pela frente: reorganizar a Esplanada dos Ministérios acolhendo aliados que foram derrotados nas urnas este ano.
Todos os nomes mencionados nas especulações, que se iniciaram já no dia seguinte ao 25 de outubro, marcado pela virada do presidente petista no segundo turno, contra Flávio Bolsonaro (PL) , foram candidatos a governos estaduais ou Senado, servido de palanque para sua candidatura presidencial.
Entre as alternativas, estão nomes do PT, PSB, Rede, PSD, MDB, PDT e Psol . Alguns desses candidatos derrotados fizeram parte do atual mandato de Lula, deixando suas pastas para a eleição de outubro, como prevê a legislação eleitoral.
PT e PSB devem ter prioridade
Três nomes do PT, partido do presidente Lula, e quatro do PSB, do vice Geraldo Alckmin, aparecem entre os cotados, liderando a lista de aliados que devem ser acolhidos no próximo mandato.
Entre as figuras petistas, estão Gleisi Hoffmann e Benedita da Silva, enquanto João Campos e Simone Tebet aparecem como prioridades no bloco dos 'socialistas'.
Ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) até março deste ano, Gleisi Hoffmann tem sido cotada para a Casa Civil ou para voltar para a SRI. A petista foi candidata ao Senado pelo Paraná, sendo derrotada na tentativa de voltar a sentar na cadeira que já foi ocupada por ela.
Também candidata ao Senado, mas pelo Rio de Janeiro, Benedita da Silva tem sido ventilada o Ministério da Igualdade Racial. Atualmente, a petista, ex-governadora e ex-senadora, cumpre os últimos meses do seu mandato de deputada federal, assim como Gleisi.
Outro nome do PT que deve ter espaço cativo na Esplanada dos Ministérios após um novo revés nas urnas é o de Fernando Haddad.
Candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda é cotado para a Educação, pasta que já foi administrada por ele, ou Casa Civil, em estratégia que consistiria no fortalecimento da sua imagem enquanto articulador para viabilizar uma candidatura presidencial em 2030.
Pelo PSB, a principal aposta é João Campos. Presidente nacional da legenda, o ex-prefeito de Recife foi candidato ao governo de Pernambuco, sendo derrotado ainda no primeiro turno por Raquel Lyra (PSD), atual governadora.
João deve ser ministro de Ciência e Tecnologia , pasta que foi administrada por seu pai, o ex-governador Eduardo Campos (m.2013), durante os primeiros mandatos de Lula.
Lídice da Mata, deputada federal não reeleita pela Bahia, e Márcio França, ex-ministro e ex-governador de São Paulo, também são ventilados para pastas como Ministério da Mulher ou Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Márcio foi vice de Fernando Haddad na disputa pelo governo de São Paulo.
Candidata ao Senado pela chapa de Fernando Haddad por São Paulo, a ex-ministra Simone Tebet, também do PSB, deve voltar para o Ministério do Planejamento e Orçamento.
Outro caminho, mas distante, é uma indicação de Tebet, vista como uma das peças fundamentais no diálogo do atual governo com setores políticos ligados ao centro, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Família Calheiros cotada
Renan Filho (MDB), senador e ex-ministro dos Transportes, também é tido como uma opção para voltar ao governo Lula, após perder a eleição em sua tentativa de retorno ao executivo alagoano para João Henrique Caldas (PSDB).
Seu pai, o ainda senador Renan Calheiros (MDB), que não conseguiu renovar seu mandato no Parlamento, também é apontado como alternativa na Esplanada dos Ministérios.
PDT também deve ter espaço no governo Lula
Dois nomes derrotados nas urnas pelo PDT também são cotados para a composição do quarto mandato de Lula: Requião Filho, terceiro colocado na corrida pelo governo do Paraná, e Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei.
Leila, que não conseguiu se reeleger senadora pelo Distrito Federal, é cotada como provável ministra do Esporte no novo mandato de Lula. A parlamentar é vista como um perfil de fácil trânsito em Brasília, apesar de ser considerada um quadro de esquerda.
Marina Silva e Eduardo Paes no radar
Ministra do Meio Ambiente entre 2023 e 2026, Marina Silva (Rede) não renovou seu mandato de deputada federal por São Paulo, após tentar, sem sucesso, uma das cadeiras ao Senado.
Sem mandato eletivo, mas com longa trajetória no ativismo ambiental, Marina deve ser reconduzida ao mesmo ministério, sem ter, até o momento, outro nome para concorrer ao posto.
Ex-prefeito do Rio de Janeiro, cargo ao qual renunciou para concorrer ao governo estadual este ano, Eduardo Paes (PSD) é outro nome dado como certo na Esplanada dos Ministérios.
O deputado federal Pedro Paulo, também do PSD, candidato derrotado ao Senado pela chapa de Eduardo Paes, também é visto como um nome para a composição de governo.
A expectativa é de que o político ocupe o Ministério dos Transportes no próximo mandato de Lula.
Veja a lista de aliados derrotados cotados no governo:
Requião Filho (PDT)
Gleisi Hoffmann (PT) - Casa Civil/Relações Institucionais
Marina Silva (Rede) - Meio Ambiente
Lídice da Mata (PSB) - Mulheres
Benedita da Silva (PT)- Igualdade Social
Eduardo Paes (PSD) - Transporte/Cidades/Turismo
Pedro Paulo (PSD) - Turismo
Renan Filho (MDB)- Transporte/Cidades
João Campos (PSB) - Ciência e Tecnologia
Renan Calheiros (MDB)
Simone Tebet (PSB) - Fazenda/Planejamento
Fernando Haddad (PT) - Casa Civil/Fazenda/Educação
Márcio França (PSB) - Empreendedorismo
Leila do Vôlei (PDT) - Esporte
Manuela D'Ávila (Psol)

